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31/07/2008
 

A HORA DA COBRANÇA

Ao terminarmos uma refeição ou um simples drink em um bar ou restaurante, cabe-nos solicitar a conta, que a gíria popular chama de "dolorosa". O garçom nos traz um pequeno encarte, onde está contido o nosso débito. Essa pequena "farra" é paga, muitas vezes, com o cartão de crédito, que nos permite protelar o pagamento da conta. O consumidor consciente, certamente provisionará o valor suficiente para liquidar sua fatura na data do vencimento. O consumidor imprudente vai, quando muito, pagar o mínimo possível do débito, rolando seu saldo para o futuro. Esse último, ao fim de determinado período terá acumulado uma dívida tão grande que ficará insolvente.

E lá vamos nós, talvez saturando a paciência do leitor, mais uma vez falar sobre o mercado imobiliário americano, o britânico, o espanhol, etc... Em três matérias abordadas nesse site o tema subprime tem sido recorrente. Em todos os artigos alertamos sobre as conseqüências que poderiam decorrer dos enormes prejuízos que o sistema hipotecário traria para os ávidos mutuários e irresponsáveis banqueiros. De uma estimativa inicial de U$ 12 bilhões, passamos para U$ 80, 200, 400 bilhões. Apesar da nossa visão pessimista, não conseguimos imaginar os absurdos números que hoje nos são apresentados nos balanços dos bancos envolvidos com as operações de subprime. Apontam-se perdas acima de U$ 1 trilhão, que não podemos afirmar ser que seja a derradeira estimativa.

Somente o sistema das duas maiores hipotecárias americanas, a FANNIE MAE e a FREDDIE MAC, socorridas com recursos do contribuinte americano, possui ativos superiores a U$ 5 trilhões. Logicamente não estamos a imaginar uma inadimplência total do sistema, ampliando o tamanho do rombo, mas a conta é bem grande.

A "dolorosa" está sendo, então, apresentada ao consumidor e contribuinte americano. Durante anos e décadas o "American Way of Life" compeliu o cidadão a se endividar e a consumir acima de sua capacidade, embalado por taxas de juros artificialmente baixas e por vezes negativas, em termos reais, como agora acontece.  Da mesma forma a nação americana continua em sua trajetória de aumentar seus déficits internos e externos, financiando suas estratégias militares a custos estratosféricos. O custo desse financiamento cresce cada vez mais. A desvalorização da moeda americana face a outras moedas tem ajudado a impulsionar os preços de ouro, metais, petróleo, alimentos e a inflação em todo o mundo. Outrora símbolo de reserva de valor e porto seguro em momentos de incerteza, o dólar não mais conta com a preferência dos investidores internacionais, tendo sido substituído por outras moedas, principalmente o euro e o yen.

A dor da conta se mostra através do enorme número de desempregados nos Estados Unidos, no fechamento de fábricas e lojas e na queda das vendas das montadoras, principalmente as produtoras dos grandes e gastadores automóveis preferidos dos americanos.

Não cabe ser muito original se o que dissemos ao final de nosso comentário "A HORA DA VERDADE", de 03 de abril de 2008, ainda é tão presente. Durante muito tempo o assunto da bolha imobiliária será revisto. A resolução dos problemas, que passa pela correção da economia americana, mais uma vez será protelada. Com boa chance mais uma bolha será criada para estourar mais adiante. As autoridades reguladoras e supervisoras vão se manifestar sobre mais medidas de controle sobre o sistema bancário e alguns mandatários vão proclamar a robustez de suas economias nada transparentes.

 

Roberto Leonardo Moreira

 

 

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