Festas não duram para sempre
O mês de fevereiro começou no Brasil com uma acalorada eleição no Congresso Nacional. As negociações a respeito da reforma ministerial vêm se arrastando à espera de ajustes políticos nas bases governamentais.
Do ponto de vista econômico, as expectativas inflacionárias e os indicadores pesquisados junto às instituições financeiras trouxeram boas notícias para o cumprimento das metas fixadas pelo Conselho Monetário Nacional.
Face aos bons resultados da balança comercial e o favorável fluxo financeiro, a cotação do dólar, com relação ao real, despencou abaixo de R$ 2,08, apesar de maciças doses de intervenção do Banco Central, que permitiram que nossas reservas cambiais atingissem o patamar histórico de U$ 100 bilhões.
O mês foi marcado por sucessivos recordes nas bolsas de valores mundiais, inclusive no Brasil, da mesma forma que os elevados preços de commodities. A liquidez de recursos, abundante em todo o mundo e da demanda desses produtos pela economia chinesa, principalmente, tem produzido alavancagens que soam exageradas.
Entretanto, no final do mês, uma série de notícias, a começar por declarações de Alan Greenspan, do Banco Central americano, sobre a economia americana e dúvidas sobre a política econômica da China provocaram uma queda, igualmente recorde de 8,8% na bolsa de Xangai, nos últimos 10 anos. No Brasil o Ibovespa teve sua maior queda desde os atentados de 11/09/2001.
As operações de “carry trade” com a moeda japonesa, o Yen - permitindo a fundos internacionais captarem recursos pagando taxas de juros de 0,50% a.a., para aplicação em ativos de países emergentes -, são as grandes causadoras dessas distorções dos mercados.
Como uma bomba e também um aviso de que tempos mais difíceis para as economias mundiais podem estar por vir, a “crise chinesa” demonstrou que festas não duram para sempre. Reservas acima de U$ 100 bilhões são um bom colchão de amortecimento para crises, mas não suficientes para impedir o seu contágio.
Roberto Leonardo Moreira |